sábado, 29 de março de 2014

50 Anos do Golpe Militar de 1964


Texto de Antônio Gasparetto Junior

O golpe militar ocorrido em 1964 estabeleceu no Brasil uma ditadura militar que permaneceu até 1985. Ao longo dos anos o regime militar foi endurecendo o governo e tornando legalizadas práticas de  censura e tortura, por exemplo. Os militares combateram sem piedade qualquer ameaça comunista ou manifestantes contra o governo, marcando a história do Brasil por um período negro de atos autoritários ao extremo.
Imagem de Miguel Arraes sendo deposto do governo de Pernambuco, em 1964.

A decisão de se dar um golpe político por parte dos militares não foi algo repentino, aconteceu como consequência de uma série de fatos políticos acumulados no período republicano após Getúlio Vargas.  Quando este presidente resolveu colocar um fim a sua própria vida a situação política nacional já estava abalada, a vacância do cargo máximo na política brasileira permitiu uma preocupante conjuntura de sucessão presidencial. Juscelino Kubitscheck foi eleito em pleito eleitoral direto para o governo seguinte, o então presidente desenvolveu um governo que lhe foi possível conquistar o apoio popular, mas por vários momentos os militares esboçaram um golpe de Estado. O sucessor na presidência foi Jânio Quadros, o qual foi eleito com enorme apoio popular, conquistando uma aprovação nas urnas que até então não havia sido vista. A vitória imperativa fez com que Jânio Quadros acreditasse em um auto-golpe de Estado. Crendo que o povo o apoiaria sempre, arquitetou um plano de renúncia para voltar ao poder através de um pedido amplo de retorno que só aceitaria se lhe fosse dado poderes absolutos. O plano de renúncia de Jânio Quadros não funcionou e o cargo de presidente acabou ficando disponível para o seu vice, João Goulart.
João Goulart  era um jovem político que havia aparecido na cena política nacional como Ministro do Trabalho do segundo governo de Getúlio Vargas. Jango, como era chamado, tinha claras aproximações com ideologias e políticas de esquerda, o que o fazia ser considerado como uma ameaça. Para piorar, quando Jango recebeu a notícia da renúncia de Jânio Quadros estava em viagem política na China comunista. Os políticos de direita tentaram de várias formas impedir a posse do vice-presidente, mas Brizola, primo de Jango e governador do Rio Grande do Sul, sustentou o retorno e a posse legítima de João Goulart.
O presidente empossado tentou aplicar uma política de esquerda, foi muito combatido pelos direitistas e criticado como uma ameaça comunista. O estopim necessário para explodir um golpe militar se deu quando Leonel Brizola e João Goulart fizeram um discurso na Central do Brasil, Rio de Janeiro, no dia 13 de março, declarando as reformas de base, lideradas pela reforma agrária. Nos dias seguintes os
oposicionistas se organizaram e promoveram seis dias depois a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, o movimento de base religiosa tinha como objetivo envolver o povo no combate ao maléfico comunismo. Assim, a religião, o povo e o interesse norte-americano formavam a sustentação que permitiria o golpe militar.
O golpe começou a tomar forma prática quando no dia 28 de março de 1964 se reuniram em Juiz de Fora, Minas Gerais, os generais Olímpio Mourão Filho e Odílio Denys juntamente com o governador do estado, Magalhães Pinto. A reunião visava estabelecer uma data para início da mobilização militar para tomada do poder, a qual ficou decidida como 4 de abril de 1964. Mas Olímpio Mourão Filho não esperaria até abril para iniciar o golpe, ainda no dia 31 de março tomou uma atitude impulsiva partindo com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro por volta das três horas da manhã. O general Castello Branco ainda tentou segurar o levante ligando para Magalhães Pinto, segundo o militar o movimento ainda era prematuro, entretanto não dava mais para parar.
Como legalista, ao lado de João Goulart, o general Armando de Moraes Âncora não estava satisfeito, mas quando recebeu a ordem do presidente para prender Castello Branco não a cumpriu. O general Âncora alegou que não queria iniciar uma guerra civil no país e então quando as tropas do governo se encontraram com as dos golpistas se uniram e continuaram a caminhada rumo ao Rio de Janeiro para efetivar o golpe que ocorreu no dia 31 de março de 1964 por volta das dezessete horas. João Goulart, ao se deparar com as tropas, também evitou uma guerra civil abandonando a presidência e se refugiando no Uruguai.

O Congresso Brasileiro providenciou então as medidas que tornaria legalizado o golpe, o senador Auro Soares de Moura Andrade declarou o cargo de presidente vago alegando que o presidente havia abandonado o Brasil. As eleições presidenciais foram prometidas para 1965, porém não realizadas, os militares passaram a eleger os presidentes indiretamente durante a ditadura que se tornaria mais severa a cada ano. O povo se mostrou confuso com o que estava acontecendo, mas o aparente crescimento econômico fez com que a população se acomodasse. Mais a frente a censura fez com que se calasse.
O golpe impediria tentativas de implantação de uma política comunista no Brasil, com os anos viriam os Atos Institucionais e o regime que tomara o poder através de um golpe se estabeleceria sobre bases legais, porém autoritárias.


Armando reage ao apelido de "patrão"

 / Heudes Régis/JC Imagem

Heudes Régis/JC Imagem

O PV é mais um partido que pode se aliar ao senador Armando Monteiro (PTB). A Executiva da legenda reuniu-se ontem para ouvir os filiados sobre uma possível a aliança com o petebista. De acordo com o presidente estadual do PV, Carlos Augusto, a decisão final só deve ser tomada em uma nova reunião, ainda sem data. Líderes dos verdes estavam presentes ao anúncio de Paulo Câmara (PSB) como candidato ao governo do Estado.
Algumas alas do PV já confirmaram o apoio ao petebista. René Patriota, que já concorreu ao Senado pela legenda, é favorável à aliança com Armando. “Votei a favor, mas ele apoia Dilma e o PV terá candidato próprio à Presidência. Precisamos resolver essa questão”, disse. 
Armando Monteiro ainda tenta amarrar a aliança com o PDT e o PP. “Recebi uma sinalização do PDT, mas não vou dizer qual é. Vamos aguardar a decisão do partido, que será tomado até a segunda quinzena de abril”, disse o petebista. 
Já sobre o PP, o senador voltou a repetir que respeita a decisão do partido de lançar candidatura própria, mas que está trabalhando para fechar a aliança. “Estamos no mesmo campo, alinhados com Dilma. Se depender de mim, vamos criar as condições para caminharmos juntos”, afirmou.
Armando e o presidente estadual do PP, o deputado Eduardo da Fonte, têm uma reunião marcada na próxima semana. Nos bastidores, o partido também se articula com o PRB, que tem o Ministério da Pesca no governo Dilma, mas no Estado apoia o governador Eduardo Campos (PSB).
APELIDO
Apelidado de “patrão” por opositores e pela ala do PT que defendia a candidatura própria da legenda, Armando Monteiro considerou que o codinome não lhe é adequado. “Há uma espécie de preconceito seletivo. Quando o empresário é aliado, vira moderno, progressista. Quando é adversário, vira patrão. O PSB gosta de patrão ou empresário. Em 86, foram buscar Antônio Farias. Em 94, Armando Monteiro Filho, meu pai. Em 2002, eu. Só que, naquele momento, eu era empresário progressista, tinha dirigido uma entidade empresarial importante”, disse, ontem, em entrevista à Rádio Jornal, no debate com Geraldo Freire.
“Usaram uma expressão ‘patrão do povo’. Patrão do povo é quem aponta e diz: ‘elejam essa pessoa’. É quem se julga dono da vontade do povo, que indica um candidato sem currículo político e diz: ‘Vocês têm que eleger esse aí.’”

sexta-feira, 28 de março de 2014

Sertânia debate resistência ao Golpe Militar de 1964


















A Prefeitura de Sertânia promove, por meio da Secretaria Municipal da Juventude, Esporte, Cultura e Turismo, na próxima terça-feira (1), diversas atividades para marcar os 50 anos do Golpe Militar de 64. Ao longo do evento, a ser realizado no Cine Emoir, haverá a exibição de filmes e um debate para tratar da influência deste período entre os antigos moradores e políticos da cidade do Sertão de Pernambuco.

Estarão presentes o presidente da Câmara de Vereadores de Sertânia, José Ivan, o vereador Orestes Neves, o ex-diretor da Escola Olavo Bilac, advogado José Etelvino Lins, e o professor José Cláudio Góis, da Escola Amaro Lafayette. A mediação ficará a cargo do secretário municipal da Juventude, João Lúcio.

História - As lideranças de esquerda atuantes em Sertânia foram perseguidas, torturadas, presas e alguns mortos pela ditadura imposta pelo Golpe Militar de 1964. Uma das vítimas foi o classificador de algodão e líder da Cooperativa de Trabalhadores Rurais, Manfried Nigro. Zé Andrade, outra figura histórica perseguida à época, era líder estudantil e tinha ligações com Francisco Julião e com o ex-governador Miguel Arraes.

Outros nomes da resistência foram Wamberto David de Vasconcelos, Micena Pontes, Dércio Ferroviário, Nequinho, Carlos Celso, professor Luiz Wilson, João Clímaco Chaves, professor Ivan de Lima, Inez Olidé da Silva e Luciano Teixeira.

Na foto acima, registrada no ano de 1963, Miguel Arraes, Zé Eteovino Lins e Zé Andrade, este último falando ao microfone.

O murro na mesa: ''Você está comigo, ou contra mim?''

 Deu na coluna de Lauro Jardim na Veja:
Eduardo Campos tem no seu substituto uma ameaça em potencial para o plano de apresentar, durante a campanha presidencial, as supostas maravilhas de seu governo em Pernambuco.
Seu vice, João Lyra Neto, anda magoado com o chefe por ter sido preterido para encabeçar a chapa apoiada por Campos à sucessão.
Lyra Neto deixou o PDT rumo ao PSB com a certeza de que seria o
escolhido. Nada feito.

Mas como Eduardo Campos deixará a cadeira do Palácio das Princesas em abril, estará nas mão de Lyra Neto cumprir os oito meses de mandato obedecendo à cartilha de Campos ou criando todos os tipos de problema para ele.
Lyra Neto, por razões óbvias, ainda não abraçou a candidatura de Paulo Câmara ao governo do estado. Na semana passada, o caldo entornou.
Campos reuniu-se a portas fechadas com seu vice para cobrar lealdade. Lá pelas tantas, muito irritado, deu um murro na mesa e o pôs contra a parede:
- Você está do meu lado ou contra mim?

terça-feira, 25 de março de 2014

Um dígito: Marina e Eduardo sem motivos para sorrir



De Lauro Jardim - Radar - Veja
A pesquisa que o Ibope divulgou na semana passada não trouxe novidades quando comparado ao levantamento de dezembro, mas quem for compulsar os números com atenção notará que algo parece acontecer com o prestígio de Marina Silva. Aos números:
Em junho, no auge das manifestações, o Ibope lhe dava 22% dos votos se ela fosse candidata a presidente.
Em outubro, quando anunciou sua união com Eduardo Campos, manteve o ótimo desempenho: 21%.
Dois meses depois, no entanto, caía para 12%. E, agora, desce para um dígito apenas: 9%.
A propósito, Campos também caiu. Entre o levantamento de outubro e o de quinta-feira passada, caiu de 10% para 6%, o que o deixa em estado de empate técnico com o pastor Everaldo, que aparece com 3% (a margem de erro é de dois pontos percentuais)

MP dá prazo para Eduardo socorrer a Saúde em PE


A promotora Helena Capelo questiona o estado quanto ao atraso em cirugias de hospitais públicos
Foto: Hans von Manteuffel / O Globo
A promotora Helena Capelo questiona o estado quanto ao atraso em cirurgias de hospitais públicos  - foto de Hans von Manteuffel / O Globo
De O Globo - Letícia Lins
Depois de reclamarem que, só no ano passado, o governo de Pernambuco gastou R$ 52,8 mil com fornecimento de bolo de rolo e R$ 388 mil com bufê do camarote oficial no carnaval, os promotores Helena Capela e Clóvis Ramos Sodré da Motta, da Promotoria de Defesa da Saúde da capital, acionaram o governo do presidenciável Eduardo Campos (PSB) para que tome providências no sentido de apressar o atendimento a 3.992 pacientes que há mais de dois anos se encontram à espera de cirurgias nos três principais hospitais de Recife.
Na ação civil pública, o Ministério Público de Pernambuco dá prazo de seis meses para que o problema seja resolvido e estipula um outro período, de apenas 90 dias, como o limite de espera para cirurgias eletivas. Caso a medida não seja cumprida, o governo poderá arcar com multa diária de R$ 50 mil. Os dois promotores pedem que o governador remaneje verbas destinadas “a gastos não essenciais” em outros setores para socorrer os serviços de saúde. Eles citam até os R$ 241 milhões anunciados pelo governador na semana passada para socorrer financeiramente as prefeituras.
O juiz Edvaldo José Palmeira, da Quinta Vara da Fazenda Pública, deu prazo de cinco dias, a partir da data da entrega da intimação, para que o governo apresente sua defesa. Mas, até ontem, a intimação não havia chegado ao Palácio do Campo das Princesas.

domingo, 23 de março de 2014

PT de Pernambuco decide: vai apoiar Armando


O PT de Pernambuco acaba de decidir: vai apoiar a candidatura do petebista senador Armando Monteiro Neto ao governo do Estado. A decisão foi tomada numa reunião que acabou agora, com a presença de mais de trezentos filiados, entre convidados, delegados e simpatizantes. A vitória da aliança com o PTB de Armando se deu por uma margem 60% de votos a favor, e 40% contra. A reunião petista ocupou toda a manhã no Hotel Jangadeiro, em Boa Viagem.
O PT declinou de fazer uma votação nominal. Inovou com o procedimento de cada delegado favorável levantar o crachá indicando a sua concordância .
Ainda hoje à tarde o partido irá elaborar um documento com os critérios adotados em torno da decisão. O senador Armando Monteiro só receberá o resultado oficial da decisão em outra data. É que o petebista não esteve presente na reunião – e nem deveria estar -, pois em nenhum momento se cogitou de que ele compareceria.